Senador por Alagoas, o ex-presidente da República Fernando Collor de Melo (PTB) tomou posse na noite desta sexta-feira (23) como o novo imortal da Academia Alagoana de Letras (AAL). Mesmo sem ter publicado nenhum livro, o ex-presidente foi eleito no último dia 2 de setembro, com 22 votos a favor e oito contra.
Collor assumiu a cadeira número 20 que era ocupada pelo ex-presidente da Casa, Ib Gato Falcão, a quem o senador classificou como o "maior construtor que Alagoas já teve". Em uma cerimônia concorrida, Collor aproveitou para anunciar que o primeiro livro publicado de sua autoria trará a versão dele sobre o impeachment de 1992. "Todos me perguntam sobre o livro. Ele trará revelações, está pronto e será lançado num momento oportuno", assegurou o senador, sem dar pistas sobre a data de lançamento.
Para concorrer à vaga na Academia, Collor apresentou sete obras, todas impressas por gráficas oficiais e que nunca foram vendidas em livrarias. A última delas foi uma publicação da gráfica do Senado intitulada "Relato para a História", que traz na íntegra o discurso que fez no Senado em 2007 apresentando fatos sobre sua saída da Presidência.
Contendo o choro em três momentos do discurso, Collor ressaltou que assume a vaga na Academia "honrado", já que AAL abrigou durante anos o seu pai, Arnon de Melo. "Aqui sinto-me bem, em casa, e porque não dizer, em família. Essa é uma homenagem a alguém que ao longo de sua vida sempre contribuiu com as discussões de políticas sociais", disse o senador.Na saída, indagado pelo UOL Notícias sobre a sugestão do colega imortal da AAL, Lêdo Ivo, para que tente uma vaga na Academia Brasileira de Letras (ABL), Collor sorriu. "Devagar com o andor", disse. Lêdo Ivo é também imortal da ABL. O discurso de apresentação da posse foi feito pelo médico Milton Ênio, vice-presidente da AAL. "Você foi eleito para completar o quadro da Academia e trazer seu entusiasmo, suas realizações. Essas sempre foram metas de Fernando Collor", disse o amigo e maior defensor da candidatura de Collor à AAL.
Já o presidente da Academia, Dom Fernando Iório, afirmou que Collor chega para agregar a elite cultural alagoana na AAL. "Esperamos que sua posse traga a sociedade consigo. Trata-se de um homem que sempre defendeu a cultura alagoana e cuja bagagem intelectual se reflete em sua história de vida como jornalista, economista, empresário e político", assegurou. O senador Renan Calheiros (PMDB) também compareceu à cerimônia e descartou seguir o caminho do colega de Senado e se candidatar à "imortalidade". "Vim para prestigiar a posse, porque acho ela importante. Sempre que um amigo é homenageado, a gente deve prestigiar", declarou.
Fonte: UOL site
Nota do blogueiro: "Fico imaginando meus ex-professores Fabiano Fontes e Nailor Marques lendo uma notícia dessas, com certeza eles diriam que a nossa sociedade está bem representada pois ela está no país "certo" com os políticos "certos". Quem dirá a sociedade intelectual alagoana, que está de mal a pior com uma escolha dessas, só espero que a Academia Brasileira de Letras não seja imbecil de cogitar uma pessoa desse nível entre Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade, pois senão eles iriam se revirar no túmulo tendo um "colega" que não produziu nada, a não ser o tão famoso confisco...Como o diria o gaudério: "O Brasil merece os políticos que possui"..."
